domingo, 31 de maio de 2015

Fim.

Postado por Flá às 21:22 0 comentários
"O pai morreu.
A sala de televisão está ceia, há gente sentada no cão, nas cadeiras, de pé junto à porta, encostada à parede, encavalitada no parapeito da janela, tanta gente que a sala ainda fica mais pequena e mais escura. O candeeiro dos cristais apagado, só os candeeiros foscos da parede e a luz que vem da televisão a aclarar os que estão mais próximos [...] É hoje. Hoje é o dia da independência de Angola. Angola acabou, nossa Angola acabou. Não sei para que estou a olha para a televisão, não sei por que estou aqui.
[...]
Não consigo viver sempre à espera que o pai chegue. Ninguém consegue viver sempre à espera de uma coisa assim. Sejas tu quem fores, tens de existir para que eu não espere mais. Sejas tu quem fores, existes e eu não espero mais. Sejas tu quem fores escolheste matar-me o pai.
O pai morreu."

Dulce Maria Cardoso in O Retorno

Aqui.

Postado por Flá às 20:55 0 comentários
"Aqui o mar acaba e a terra principia. Chove sobre a cidade pálida, as águas do rio correm turvas de barro, há cheias nas lezírias. [...] Então vamos, disse Fernando Pessoa, Vamos, disse Ricardo Reis. O Adamastor não se voltou a ver, parecia-lhe que desta vez ia ser capaz de dar o grande grito. Aqui, onde o mar se acabou e a terra espera."

José Saramago in O Ano da Morte de Ricardo Reis

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Podem me chamar de louca, mas isso me faz bem.

Postado por Flá às 22:11 0 comentários
Estranho seria se eu não me apaixonasse por você [...] Estranho, mas já me sinto como um velho amigo seu...


E eu te amo! E eu berro: Vem! Grita que você me quer, que eu grito também!



De quanto tempo a gente precisa para ser feliz? Ah, se tivesse uma fórmula... De repente você percebe que a felicidade pode vir em questão de dias, pouquíssimos dias e te preencher, mostrando que não precisa de muito, só de estar aberto para o amor.
De onde menos se espera, nasce aquilo que vai te guiar para sempre, aparece a força com poder de transformar a sua vida em algo tão maravilhoso que se torna impossível de explicar. Palavras nunca definiram um sentimento tão complexo quanto o amor, ou a saudade. E quando tudo o que se tem são esses dois sentimentos misturados, nenhuma palavra pode definir o que o coração carrega.

Só queria deixar esse amor livre para encontrar logo o outro coração e sufocar toda a saudade que só sabe crescer na mesma proporção que o outro sentimento.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

"E a vida tão generosa comigo veio de amigo a amigo me apresentar a você"

Postado por Flá às 21:15 0 comentários


Eu escrevi quando tudo era um sonho que acreditava ser realidade. Hoje eu percebi que a realidade eu estou negando e preferindo acreditar que é um sonho. Vejo todos os erros que cometo, cada equívoco que poderia evitar. Sinto em cada batida do coração como isso tem tudo para terminar mal e não desvio; procuro o abismo como quem vai atrás da felicidade, parecendo até que ela se encontra no pequeno foco de luz depois de uma escuridão sem fim. E eu nem vejo esse foco ainda.
Para cada sorriso nervoso ou sincero, um filme passou antes. Não que eu lembre exatamente, mas lembro de quando te conheci, de quando te vi, de quando te reencontrei, de quando te abracei, de quando errei. Lembro-me de quando te beijei e sinto vontade apenas de dizer tchau. Até que, enfim, corro pra um abraço apertado.

E as palavras saem tão bagunçadas quanto o coração. E a vontade não obedece a razão e o mundo parece dizer apenas que eu devo sair para longe do imã que me atrai.

terça-feira, 1 de julho de 2014

“Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne e sangra todo dia.” [José Saramago]

Postado por Flá às 17:26 0 comentários



"Tomara que a neblina das circunstâncias mais doídas não seja capaz de encobrir por muito tempo o nosso sol. Que toda vez que o nosso coração resfriar à beça, e a respiração se fizer áspera demais, a gente posso descobrir maneiras para cuidar dele com o carinho todo que ele merece. Que lá no fundo mais fundo do mais fundo abismo nos reste sempre uma brecha qualquer para ver também um bocadinho do céu."
[Ana Jácomo]

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Postado por Flá às 21:48 0 comentários

Paz, é tudo que eu venho tentando encontrar


Mas, me vem a saudade fazendo lembrar...

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Nada.

Postado por Flá às 23:11 0 comentários
Você repara nas colunas da Tati Bernardi e pensa “quão simples pode ser a inspiração”. Vem assim, da imagem captada, da palavra gravada, do sonho tido... Mas não. As duas imagens não parece tão boas, as palavras ditas ao seu redor não parecem as melhores para serem gravadas no papel e os sonhos... Esses parecem não passar de um borrão preto capaz de durar por todas as poucas horas que suas noites estão tendo.
Você lê o trabalho de Literatura Portuguesa e vê o quão simples Fernando Pessoa conseguia ser. Simples? Ilusão! Simples ilusão de que uma visão cotidiana cercada de devaneios, por acaso, gerou uma poesia, um livro, uma coletânea... Gerou 180 heterônimos, 180 “eus” que se divergem e convergem com uma facilidade absurda. Facilidade...
Não que cheguemos aos pés de mestre Pessoa – ou de Mestre Caieiro para aqueles que conhecessem a história – se nem ao menos aos pés de algo simples tentamos chegar. Mas quando se tentar olhar para o nada, pensar o banal, as páginas a sua frente são um completo branco que parecem te intimidar para dizer “Sua vida? É nada!”. E nos abatemos, sem responder. Nossas vidas são nada, são brancas, pretas... De qualquer cor que nossa alma resolva pintar, mas são reles vidas comparadas ao tamanho do mundo.
E o que é a Filosofia? A ciência capaz de desvendar os mistérios que há entre o céu e a terra e nossa vã filosofia – difere-se aqui da letra maiúscula, por favor -  é capaz de compreender. E a incompreensão do mundo gera o devaneio que te leva ao nada, ao fundo, ao escuro...

Ao preto. Ao sonho.

E sonhos precisam de nexo?

E o que é a escrita além de sonho?

Precisa então a escrita ter nexo?

Nem aqui há nexo. Nem aqui há tudo o que eu queria.


Sonho. Preto.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Hace tanto tiempo.

Postado por Flá às 16:56 0 comentários
Ia caminhando pelas ruas esquecidas, sem destino. Ia tropeçando em fantasmas, em anjos caídos.
Iba sin luz, iba sin sol. Iba sin un sentido, iba muriéndome. Iba volando sobre el mar con las alas rotas.
Ai, amor, apareceu na minha vida e me curou todas as feridas. Ai, amor, você é minha lua, meu sol, meu pão de cada dia. Me iluminando com sua luz, não, nunca se vá, amor. Você é a glória de nós dois até a morte.
En un mundo de ilusión, yo estaba desahuciado, estaba abandonado, vivia sin sentido. Pero llegaste tú!
Ah, amor, você é minha religião, é minha luz, é o meu sol.
Abre el corazón!
Hace tanto tiempo, corazón, viví en dolor y en el olvido.
Ai, amor, paixão, você é a minha religião, meu sol que cura o frio.

domingo, 6 de abril de 2014

Eu acho tão bonito isso

Postado por Flá às 17:51 0 comentários


Eu gosto tanto de você que até prefiro esconder, deixo assim ficar subentendido como uma ideia que existe na cabeça e não tem a menor pretensão de acontecer!

terça-feira, 25 de março de 2014

Num piscar de olhos...

Postado por Flá às 20:10 0 comentários

... tá passando mais de um mês. A gente fica velho e o que a gente fez?
 

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